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Conceição Evaristo #PRETAPALAVRA por Maria Carolina Casati


Foto de Leo Martins, O Globo, 2020.



Encerro minha primeira curadoria com uma das grandes pretas-palavras do Brasil. Nascida Maria da Conceição Evaristo de Brito, em 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte, Conceição é linguista, escritora, professora universitária.

Conceição diz que não cresceu rodeada de livros, mas sim, de palavras. Que sua mãe trazia revistas, livros e outras memórias concretas para casa e, assim, ela e os irmãos aprenderam o poder da escrita.

É dela o termo que talvez melhor defina aquilo sobre o qual tenho falado por meio de outras cinco autoras. Escrevivência fala sobre essa escrita de mulheres negras (principalmente) em que as experiências pessoais reverberam nas vivências de todo um grupo, já que ancestralidade, diáspora e interseccionalidade estão presentes na vida de todes nós. Poder FALAR e construir-se através da narrativa torna-se, então, algo político, pois, desta forma, também podemos reivindicar a nossa humanidade, legitimar a nossa existência (que foi negada e continua a ser cada vez que nós somos silenciades e / ou narrades pela "branquitude"). Que honra poder reverenciar todas essas mulheres ao longo dessas semanas! Que venham muitas outras palavras-pretas! E, por ora, salve, Conceição!



Maria Carolina Casati

curadora da #PRETAPALAVRA





Poemas da Recordação e Outros Movimentos, Ed. Malê, 2017.






uma série de cursos, oficinas, aulas abertas e produção de conteúdo digital, que visa apresentar textos, poemas e pensamentos de mulheres negras, divulgando a "escrevivência" em seu sentido mais ancestral.



Conheça outras ações da iniciativa #PRETAPALAVRA:

https://www.acapivaracultural.com.br/pretapalavra





Maria Carolina Casati é professora e escritora. Leitora voraz, apaixonada pela palavra, se dedica a pesquisas usando a metodologia da história oral. É idealizadora do @encruzilinhas, um projeto de leitura e debate de textos sobre negritude, gênero, feminismos e militância. Cursa o doutorado na EACH-USP, do Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política. Seu projeto, por meio da história oral de vida, analisa narrativas de mulheres negras casadas com italianos.







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