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África FALE, GRITE, SE NARRE - Paulina Chiziane #PRETAPALAVRA por Maria Carolina Casati






Na memória da África e do mundo, do livro O canto dos escravizados (Nandyala, 2018).





À primeira vista O Canto dos Escravizados, de Paulina Chiziane, é só uma coletânea de poemas. Quer dizer, se é que se pode dizer que algo que essa potência de mulher escreve é “só”. Mas, care leitore, esse livro é um arrebatador apelo ao despertar. Dividida em sete livros - Testamento, Canto de dor e desespero, Canto de resistência, Transcendência, Canto de Liberdade, À volta da fogueira, Canto de esperança – a obra é um convite para que África FALE, GRITE, SE NARRE e retome seu lugar no mundo.


Essa necessidade de se narrar e, assim reivindicar a humanidade que nos foi arrancada, é assunto de muitas feministas pretas, de Grada Kilomba a bell hooks. Leda Martins, em "Performances da Oralitura: Corpo, Lugar da Memória" (2006), nos traz a importância da oralidade nas culturas africanas. Segundo ela, a memória se inscreve no corpo e a narração se torna, então, “escrita” oral, que significa honra e atribui sentidos. As nossas culturas têm oralitura, é dela – do corpo, da oralidade, da memória que se sente na pele – que vêm nossas lendas, histórias, desejos... Salve a palavra!





Foi por isso, África, foi por isso que foste destruída e seus filhos destituídos de humanidade.





É chegado o momento! Agora, vocês terão que nos ouvir!




Maria Carolina Casati

curadora da #PRETAPALAVRA







 



uma série de cursos, oficinas, aulas abertas e produção de conteúdo digital, que visa apresentar textos, poemas e pensamentos de mulheres negras, divulgando a "escrevivência" em seu sentido mais ancestral.



Conheça outras ações da iniciativa #PRETAPALAVA:

https://www.acapivaracultural.com.br/pretapalavra





Maria Carolina Casati é professora e escritora. Leitora voraz, apaixonada pela palavra, se dedica a pesquisas usando a metodologia da história oral. É idealizadora do @encruzilinhas, um projeto de leitura e debate de textos sobre negritude, gênero, feminismos e militância. Cursa o doutorado na EACH-USP, do Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política. Seu projeto, por meio da história oral de vida, analisa narrativas de mulheres negras casadas com italianos.







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