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#PRETAPALAVRA, por Maria Carolina Casati

para bell

foto: www.depauw.edu




No ano que não começou – uma vez que não coloquei meu bloco na rua em 2021 –, consolidei tanta coisa iniciada na primeira temporada do fim do mundo... aulas, encontros, conversas, trocas, encruzilhadas de afetos. As andanças passaram a se dar nas ruas do antigo império, a figlia-sorella-outsider se (re)conhece na terra do colonizador-pai.


O tempo é espiralar, muitas vieram me amparar. Minha mãe, minha vó, minhas tias, minha prima, minhas amigas... muitas pretas também fizeram a travessia comigo. Toni, Carolina, Conceição, Audre, Maryse, Françoise, Angela, Saidyia, bell.


Ah, bell... suas palavras atravessaram por sobre as águas-cemitério-estrada para que eu pudesse discuti-las com outras irmãs. Na solidão da cidade-amor, foi a sua ideia sobre esta ação que me fez enxergar verbo aquilo que o senso comum define substantivo.


Muita gente me escreveu, preocupada comigo quando soubemos da sua partida. Me deram os pêsames, me desejaram força, me encheram de amor, como se eu tivesse perdido alguém da família. E foi isso mesmo que aconteceu, não? Todas perdemos a mãe-bruxa-griot... mas a aldeia que você construiu é tão potente, tudo o que você fez é tão forte, que a gente segue unida, agradecendo e honrando a sua existência.


Obrigada também por isso.



Maria Carolina Casati

curadora da #PRETAPALAVRA






bell hooks entrevistada por Ken Paulson, "Speaking Freely", 2002.





uma série de cursos, oficinas, aulas abertas e produção de conteúdo digital, que visa apresentar textos, poemas e pensamentos de mulheres negras, divulgando a "escrevivência" em seu sentido mais ancestral.




Maria Carolina Casati é professora e escritora. Leitora voraz, apaixonada pela palavra, se dedica a pesquisas usando a metodologia da história oral. É idealizadora do @encruzilinhas, um projeto de leitura e debate de textos sobre negritude, gênero, feminismos e militância. Cursa o doutorado na EACH-USP, do Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política. Seu projeto, por meio da história oral de vida, analisa narrativas de mulheres negras casadas com italianos.







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