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Gioconda Belli - Tradução&poesia, por Ayelén Medail




A poeta Gioconda Belli nasceu em Manágua, capital da Nicarágua, em 1948. Oriunda de uma família acomodada, Belli estudou em um dos mais prestigiados colégios de seu país. Concluiu o Ensino Médio em Madri e se graduou como jornalista nos Estados Unidos. Ao regressar a Nicarágua começa a militar na Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLD), nessa época clandestina, tendo que se exilar no México e na Costa Rica. Em 1979, participou da Revolução Popular Sandinista que destituiu o ditador Anastacio Somoza, ocupando logo vários cargos políticos do governo revolucionário.


A obra de Gioconda Belli é prolífica. Publicou doze livros de poesia, entre os quais destacamos seu primeiro livro, Sobre la grama (1972), Línea de fuego (1978) – prêmio Casa das Américas –, De la costilla de Eva (1986), Eva advierte sobre las manzanas (2014); e as antologias Amor insurrecto (1984) e El ojo de la mujer (1991), sendo esta última a única obra poética de Gioconda traduzida ao português brasileiro.


Gioconda Belli também escreve prosa, conta com oito romances publicados, dentre os que se destacam La mujer habitada (1988), seu primeiro e emblemático romance que ganhou o Prêmio da Fundación Friedrich Ebert de melhor romance político do ano; El infinito en la palma de la mano (2008), reconhecido pelo prestigioso Prêmio Sor Juana Inés de la Cruz; e El país de las mujeres (2010), que conquistou o Prêmio hispano-americano de Novela La Otra Orilla. Além dos romances, escreveu livros de contos infantis, ensaios e uma autobiografia.


Desde muito jovem, Gioconda recorreu à palavra escrita com desenvoltura, como mecanismo de expressão de rebelião e de sensualidade. A força da sua voz poética radica na delicadeza e vitalidade com que trata dos assuntos do corpo feminino e sua sexualidade, do desejo e do erotismo, provocando, nos primeiros anos, verdadeiros escândalos nas sociedades conservadoras da América Central. Porém, esses escândalos não a silenciaram, muito pelo contrário, a incentivaram a continuar provocando através do verso, da ficção e da militância política.




Nesta oportunidade, trago três poemas do livro O olho da mulher (Arte Desemboque, 2012), tradução de Silvio Diogo – sendo possível encontrar alguns exemplares pela internet. Escolhi-os na tentativa de mostrar os elementos centrais de sua obra: o eu feminino, a questão social e política Latino-americana e o erotismo.

















Em fevereiro deste ano, a escritora foi julgada por “traição à pátria” e despojada de sua nacionalidade nicaraguense. Ela teve uma participação ativa na Revolução Popular Sandinista como militante da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLD), porém, devido aos rumos autoritários que o governo de Daniel Ortega tomou, Belli, assim como outros artistas, escritores e militantes, tornaram-se opositores. Ao todo foram 94 pessoas afetadas, entre os quais está o também escritor Sergio Ramírez. Com a notícia, o presidente do Chile, Gabriel Boric, ofereceu-lhe a nacionalidade chilena, com isto o Chile ganha mais uma poeta para seu panteão impressionante de artistas do verso.


Deixo um vídeo, deste ano, em que Gioconda lê seu poema “Nicaragüa”, considerado, por ela própria, mais atual do que nunca.













Ayelén Medail é pesquisadora, tradutora e professora. Oriunda de Entre Ríos, Argentina, mora no Brasil desde 2012. É doutoranda em Literatura Hispano-americana pela USP, onde pesquisa os ensaios de Gabriela Mistral e Alfonsina Storni em chave ginocrítica. Traduziu Dezenove garras e um pássaro Preto e Saboroso Cadáver, de Agustina Bazterrica (Darkside), História do Leite, de Mónica Ojeda (Jabuticaba) e A arte do erro, de María Negroni, em parceria com Diogo Cardoso (100/cabeças).

















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