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bate-papo com Ismar Tirelli Neto #POESIAHOMOERÓTICA





A Capivara vem convidando autores, tradutores e pesquisadores para curadorias temáticas, sempre pensando em levar pra você e pra toda comunidade capivaresca, um conteúdo literário diverso, pertinente e (óbvio) recheado de bons versos pra ficarmos lendo e roendo.


Recentemente tivemos o poeta Ismar Tirelli Neto no comando de nossa #poesiahomoerótica, agora, pra fechar a curadoria com chave de ouro, preparamos algumas perguntinhas para o Ismar sobre o tema.


Muito obrigada ao nosso curador pela parceria, seriedade na missão de indicar poemas e pelas ótimas anedotas! <3





O que é poesia homoerótica pra você?



Certo tipo de poesia em que os sexos dos bonecos dentro do poema aparecem e são o mesmo sexo.




Quais são os poetas mais proibidões do universo da poesia homoerótica?



Gosto bem deste "no universo da poesia homoerótica". Parece matéria do Globo Repórter, tipo "o universo das drogas". Mas voltando. A mim me parece mais proveitoso colocar todo o universo da poesia homoerótica como "proibidão" em relação à poesia mainstream. Se bem que estas categorias estão todas em franca reescritura. "Mainstream", "poesia", "homoerotismo", até mesmo "universo" definitivamente não significam aquilo que (me) significavam quando eu era mais moço, em 1912. Sei que há autores que, mesmo entre nós, não são suficientemente lidos, e tentei nortear a curadoria um pouco a partir disso. Se todo poeta queer fizesse a mesma coisa - colocasse na mesa quatro poetas de expressão homoafetiva que julguem insuficientemente lidos -, penso que teríamos uma base de dados de dar volta ao miolo. Mas não creio que não sejam lidos por serem particularmente incendiários, e sim por falta de vergonha na cara por parte do nosso povo mesmo. O que está muito bem, as pessoas têm afazeres.




Ainda é um tabu versar sobre sexo em poesia?



Importante ressaltar duas coisas aqui: "tabu" e "em poesia". Pesando por essas palavras, não, não me parece o caso. Em poesia as pessoas tagarelam sobre sexo o tempo inteiro, mas isto pode ser só uma impressão minha, de "bolha", é sabido que não tenho muito trato com o mundo lá fora. Mas aqui deste relativo forasteirismo, bom, a coisa tende a ficar um pouco entediante, e redutora, porque uma sexualidade queer não precisa ser tão despoticamente genitalizada assim, pelo menos a meu ver. Talvez o impasse seja esse - como não "envelhecer" ou "entediar", entre homoafetivos, o nosso erotismo? Porque, se a gente saturar a coisa, estamos perdidos. Se deixarmos de ser interessantes entre nós, eles ganharam. Outro impasse: como fazer este erotismo ultrapassar modos de leitura inteiramente estribados na identificação imediata? Falta entender e "praticar" algum entendimento no tocante a como "entre nós" não há bem "nós", embora haja. Parece confuso, e não se enganem, é mesmo. É uma dilaceração, na verdade.




Ficou faltando indicar alguém?


Sempre fica, sempre ficará. Como disse, se toda a gente colocasse na mesa "seus" cinco poetas de expressão dissidente, tínhamos um corpo, um parentesco, uma organização, um convento cujos arquivos nossos pósteros poderiam consultar à vontade. Entre pessoas mais ou menos pareadas comigo etariamente, tem tanta gente tão criteriosa, tão interessante. Caetano Romão, já leram? Rodrigo Moretti? Thiago Gallego? Matheus Guménin Barreto? Hugo Lorenzetti Neto? Gente viva e encontradiça nas redes sociais. Procurem. Depois escrevam para eles pedindo mais cinco nomes. Construam sua própria base de dados. Deem a diferença, trabalhem um pouco, Cristo Pai.







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